sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Tanto faz

 


É simples e é fácil de contar. Também de se apreender. Vergílio Ferreira, no seu romance Nítido Nulo, publicado em 1971, lançou o repto, olhando para a paisagem do lado de fora da janela, empurrando-nos à liberdade do fazer, "porque o que importa é o fazer e não o que se faz. O que se faz serve só para justificar o fazer e assim tanto importa que se faça como não". Imagino, noutra janela, amplamente aberta, Mário Cesariny, de olhos fechados, fumando nem muito nem pouco mas sempre, preencher o retrato final, lendo solenemente, "afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício/ e cair verticalmente no vício". Depois, em todo o caso, imagino tudo o resto: o que cresce inconscientemente em nós.




quarta-feira, 21 de outubro de 2020

 


A porta está fechada na palavra porta, para sempre.


terça-feira, 20 de outubro de 2020

Em Segredo

 



Mas temos o vinho

e temos as cartas:

essas que uma vez marcámos

em segredo

para que ambos perdêssemos

quando jogássemos

um

contra o 

outro.


José Carlos Barros

sábado, 16 de dezembro de 2017

Claridade dada pelo tempo



Deixa-me sentar numa nuvem
a mais alta
e dar pontapés na Lua
que era como eu devia ter vivido
a vida toda
dar pontapés até sentir um tal cansaço nas pernas
que elas pudessem voar
mas não é possível
que tenho tonturas e quando
olho para baixo
vejo sempre planícies muitos brancas
intermináveis


(...)

Mário-Henrique Leiria


sexta-feira, 20 de maio de 2016

Oliveiras





Don't walk away in silence,
don't walk away.