domingo, 10 de janeiro de 2021

Fallen Angels, 1995.

 


"Most people fall in love for the first time as teenagers. I guess I'm a late bloomer. Maybe I'm too picky. On May 30, 1995, I finally fell in love for the first time. It was raining that night. When I looked at her, I suddenly felt like I was a store. And she was me. Without any warning, she suddenly enters the store. I don't know how long she'll stay. The longer the better, of course."


domingo, 3 de janeiro de 2021

Tempo de S.O.S.


 S.O.S. perdidos, desencontrados, sozinhos! S.O.S. estamos todos desencontrados, estamos todos sozinhos, perdidos todos! S.O.S. sozinhos! S.O.S. desencontrados, S.O.S. perdidos, S.O.S. sós! S.O.S. sós! S.O.S.

S.O.S. é o sinal internacional de telegrafia a pedir socorro. Está formado pelas três iniciais da frase inglesa: "Save Our Souls", que quer dizer em português: "Salvai Nossas Almas". Estas três letras S.O.S. são as mesmas com que se escreve em português o plural de indivíduo isolado: sós. 


Não é só o momento-vivido-presente que é tempo de silêncio, de solidão, de S.O.S..

Já em 1915, Almada Negreiros afirmava: «O mundo inteiro está sozinho. Cada pessoa vive isolada no meio das multidões. As multidões são formadas por indivíduos, por numerosíssimos indivíduos isolados uns dos outros.

As palavras caem perdidas no chão. Sozinhos todos. Ninguém se entende. A humanidade inteira está reduzida à solidão de cada um dos seus indivíduos. Com quem comunicas tu? 

Não te perguntamos com quem tratas todos os dias, nem com quem falas, nem com quem vives, nem com quem dormes. Perguntamos-te unicamente com quem te entendes?

A primeira sugestão para que se criasse um sinal de angústia ou aflição foi emanada dos delegados da marinha italiana à conferência de Berlim de 1903. Propuseram S.S.S., D.D.D.S. (de "ship" barco) e do índico D (urgente), já admitido no Código Internacional. Em 1904, a Companhia Marconi propôs C.Q.D. ("Appel a Tour Urgent") - apelo a todos urgente -, sinal que foi admitido até que, em 1906, na Conferência de Berlim, se adoptou o S.O.S.. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

This is the way

 


"É assim que o mundo acaba/ Sem estrondo, num gemido."

                            (This is the way the world ends/ Not with a bang but a whimper.)

                                                                                                                      T.S. Eliot, The Hollow Men



terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Dias e dias

 


“Estar em casa

estar a estar

dias e dias”

Adília Lopes, 26-IV-2020 - 11h14

 

Aqui estamos, enclausurados dentro de paredes de betão, estamos e estamos, dias e dias, e ouvimos dizer que assim será melhor. Acreditamos, mal ao mundo virá sempre, somos solipsistas à força e cumpridores sem lei. Aqui estamos, aqui estamos a obedecer, como outrora, mas desta vez a questionar, direito nosso desde 74. A viagem faz-se para já aqui, a destempo, inesperada, o futuro virá, sabemo-lo, quiçá, mais bem inventado com o tempo sem uso que nos sobrará. É preciso não só barcos no mar como, entretanto, inventar futuro, futuro que julgávamos que viria sempre no dia seguinte, sem nada fazermos, antes “inventávamos o futuro para ainda haver futuro quando o não houvesse e a vida lhe pertencia”, agora, também, mas dentro de casa. Dias e dias. 


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Tanto faz

 


É simples e é fácil de contar. Também de se apreender. Vergílio Ferreira, no seu romance Nítido Nulo, publicado em 1971, lançou o repto, olhando para a paisagem do lado de fora da janela, empurrando-nos à liberdade do fazer, "porque o que importa é o fazer e não o que se faz. O que se faz serve só para justificar o fazer e assim tanto importa que se faça como não". Imagino, noutra janela, amplamente aberta, Mário Cesariny, de olhos fechados, fumando nem muito nem pouco mas sempre, preencher o retrato final, lendo solenemente, "afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício/ e cair verticalmente no vício". Depois, em todo o caso, imagino tudo o resto: o que cresce inconscientemente em nós.